Pitões, CILI

Montalegre, Portugal

2024

O CILI nasce da relação entre o lobo ibérico, o fojo e a memória de uma paisagem marcada, durante séculos, pelo confronto entre o homem e o animal. Mais do que representar essa história, o desenho procura transformá-la em experiência.

O percurso assume-se como elemento fundador do projecto. Sinuoso, estreito e deliberadamente inquietante, é desenhado por planos de diferentes inclinações que se aproximam, afastam e comprimem o espaço. Entre estrangulamentos e aberturas, o corpo é conduzido por uma sequência de tensões que evoca, de forma abstracta, a perseguição e o aprisionamento do lobo no interior do fojo. Não se pretende reproduzir literalmente esse lugar, mas recuperar a sua dimensão emocional — provocar instinto, tensão, desconforto e expectativa.

No final, o espaço abre-se. A compressão dá lugar ao vazio, à altura e à luz. Uma fractura no volume existente revela o núcleo do edifício, uma sala de pé-direito duplo sobre a qual surge, suspensa, a sala multimédia. É simultaneamente ponto de chegada e momento de ruptura: uma evocação do culminar do fojo, reinterpretada agora como espaço de consciência e contemplação.

A intervenção preserva quase integralmente a presença do edifício existente, concentrando a transformação nesse gesto central. Em torno do vazio, a luz natural percorre o interior de forma variável, multiplicada por reflexos, transparências e perspectivas. No limite, um amplo plano envidraçado, filtrado por réguas de madeira, dissolve a fronteira entre interior e exterior e devolve o olhar à praça e à paisagem.

  • Centro Interpretativo
  • Cultural
  • Reabilitação

Processo do projeto

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